O reajuste da Amil em 2026 só pode ser conferido depois de uma pergunta: qual é o tipo do seu plano? Nos planos individuais e familiares, o reajuste anual de maio de 2026 a abril de 2027 não pode passar de 5,11%, o teto da ANS. Nos coletivos, por adesão ou empresariais, não há teto único, mas a operadora precisa justificar o percentual. E o aumento por faixa etária segue regras próprias. Se o seu aumento não se encaixa nessas regras, há indício de abusividade, e o que foi pago a mais nos últimos três anos pode ser devolvido.
Este guia mostra como conferir cada tipo de reajuste e o que fazer quando ele passou do limite.
Passo 1: descubra o tipo do seu plano
O tipo aparece no contrato, na carteirinha ou no boleto.
| Tipo de plano | Reajuste anual |
|---|---|
| Individual ou familiar | Limitado ao teto da ANS: 5,11% entre maio de 2026 e abril de 2027 |
| Coletivo por adesão (via associação ou administradora) | Sem teto único; calculado pela sinistralidade do grupo, com cálculo demonstrado |
| Coletivo empresarial | Sem teto único; contratos com menos de 30 vidas entram no agrupamento da ANS |
A maior parte dos contratos novos no mercado é coletiva. É justamente nesses que aparecem os aumentos de dois dígitos.
Passo 2: separe o reajuste anual do reajuste por idade
Muitas cartas de reajuste somam dois aumentos diferentes no mesmo ano:
- o reajuste anual, aplicado no mês de aniversário do contrato;
- o reajuste por faixa etária, aplicado no mês em que o beneficiário muda de faixa.
Cada um tem a sua regra. O anual segue o teto da ANS (individual) ou a sinistralidade (coletivo). O de faixa etária precisa estar previsto no contrato, seguir as normas da ANS e não pode ter percentual desproporcional, conforme o Tema 952 do STJ. Depois dos 60 anos, a cobrança diferenciada por idade é vedada pelo Estatuto da Pessoa Idosa (art. 15, § 3º).
O plano negou, cancelou ou reajustou demais?
Mande pelo WhatsApp a negativa ou a carta de reajuste. Analisamos o caso e dizemos o que cabe.
Falar pelo WhatsAppCalcular o meu reajuste →Passo 3: faça a conta
Um exemplo. Plano individual de R$ 1.500, com aniversário em julho. O máximo permitido em julho de 2026 é 5,11%, o que leva a mensalidade a R$ 1.576,65. Se o boleto veio de R$ 1.800, o aumento real foi de 20%, quase quatro vezes o teto.
Para fazer a conta com o seu caso, use a calculadora de reajuste abusivo. Ela compara o seu aumento com o teto da ANS de cada ano e estima o retroativo.
O que diz a lei e a jurisprudência
- Teto da ANS: a agência fixa o reajuste máximo dos planos individuais com base na Lei 9.656/1998. O índice de 2026 é de 5,11%, como explicado no guia sobre o reajuste ANS 2026.
- Faixa etária: Tema 952 do STJ, que admite o reajuste por idade previsto em contrato, dentro das normas da ANS e sem percentuais desarrazoados.
- Idoso: art. 15, § 3º, do Estatuto da Pessoa Idosa.
- Devolução: Tema 610 do STJ, que fixa em três anos a prescrição para pedir de volta o que foi pago por reajuste nulo.
- Coletivos: o reajuste precisa ser transparente e demonstrado. Ver o guia sobre reajuste de plano coletivo abusivo.
Quando vale procurar advogado
Quando o reajuste anual do plano individual passou do teto da ANS; quando o plano coletivo teve aumento alto sem memória de cálculo; quando o salto de faixa etária foi desproporcional; ou quando a Amil ameaça cancelar o plano porque você se recusa a pagar o valor questionado. Nesses casos, cabe pedir a revisão do percentual, a devolução das diferenças dos últimos três anos e, se houver risco de cancelamento, medida de urgência para manter o contrato. Veja a área de Direito da Saúde.
Antes de qualquer medida, reúna o contrato, as cartas de reajuste e os boletos de antes e depois do aumento. São eles que mostram quanto foi cobrado a mais.