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Anfitrião do Airbnb: o que fazer quando o hóspede causa prejuízo e o AirCover não paga

Por José Eduardo Mercado · · 8 min de leitura · Marketplaces

O anfitrião do Airbnb que tem prejuízo com um hóspede pode cobrar a reparação de duas fontes: do hóspede, que causou o dano, e da própria plataforma, que intermedeia a hospedagem e anuncia uma proteção ao anfitrião. O primeiro passo é o pedido no AirCover, pela Central de Resoluções, dentro do prazo. Quando a plataforma nega ou paga menos do que o prejuízo, a diferença pode ser cobrada na Justiça.

Os casos se repetem: reserva para sete pessoas e doze no apartamento, portão da garagem quebrado, sofá queimado, multa do condomínio por barulho. A plataforma cobre parte de um item, nega os outros e encerra o caso.

Este guia mostra o que dá para cobrar, como montar a prova e quando vale levar o caso adiante.

O que o anfitrião do Airbnb pode cobrar

O prejuízo de uma hospedagem raramente é um item só. Vale separar cada um, com a sua prova.

Prejuízo O que comprova Observação
Hóspedes além do reservado Regras do anúncio, lista da portaria, mensagens Cobra-se a taxa por hóspede extra que o anúncio prevê
Danos ao imóvel Fotos de antes e depois, orçamento ou nota Móveis, eletrodomésticos, portas, limpeza extra
Danos ao condomínio Notificação do condomínio, orçamento Portão, elevador, áreas comuns
Multa do condomínio Notificação com data e motivo Ligada às datas da reserva
Dias sem alugar Calendário bloqueado, diária média Lucros cessantes (art. 402 do Código Civil)

Um exemplo: o anúncio cobra R$ 150 por hóspede extra por noite. A reserva foi de quatro noites para sete pessoas, e entraram doze. A diferença é de cinco hóspedes por quatro noites, ou R$ 3.000. Somam-se o portão (R$ 800), o forro do sofá (R$ 1.200, com R$ 600 já pagos pela plataforma) e uma multa do condomínio. O que ficou em aberto é a soma das diferenças, e não só o item que a plataforma analisou.

Como funciona o AirCover para o anfitrião

O aircover é o pacote de proteção que o Airbnb anuncia. Para o anfitrião, prevê reembolso por danos causados por hóspedes ao imóvel e aos bens, nos limites e condições dos termos que a plataforma publica.

O procedimento passa pela Central de Resoluções:

  1. o anfitrião abre o pedido em até 14 dias depois do check-out, ou antes da próxima reserva, se ela vier antes;
  2. o pedido vai primeiro ao hóspede, que pode pagar ou recusar;
  3. se o hóspede recusa ou não responde, o anfitrião pode envolver o Airbnb;
  4. a plataforma analisa as provas e decide quanto paga.

A própria plataforma diz que essa proteção não é um seguro. Na prática, isso significa que ela aplica as regras dela: exclui desgaste natural, pede fotos de antes, limita valores a orçamentos que considera razoáveis e nega o que entende fora da cobertura. A taxa de hóspede extra e a multa do condomínio costumam ficar de fora.

A plataforma pagou menos do que o prejuízo da hospedagem?

Mande pelo WhatsApp a resposta da Central de Resoluções e as fotos do imóvel. Analisamos o caso e dizemos o que dá para cobrar.

Falar pelo WhatsAppPreencher o formulário do anfitrião →

Airbnb reclamação: o que fazer quando o pedido é negado

A recusa ou o pagamento parcial não encerra o assunto. Antes de pensar em ação:

Os protocolos mostram que a plataforma teve a chance de resolver, o que pesa na discussão sobre a conduta dela.

O que diz a lei e a jurisprudência

O hóspede responde pelo dano que causou. É a regra geral do Código Civil: quem causa dano a outro, por ação ou omissão, fica obrigado a repará-lo (arts. 186 e 927). As perdas e danos incluem o que o anfitrião perdeu e o que razoavelmente deixou de ganhar (art. 402).

A responsabilidade da plataforma tem dois fundamentos. O primeiro é a participação na cadeia: ela aprova o hóspede, recebe o pagamento, retém a taxa de serviço, define as regras e decide a disputa. O segundo é a oferta. A proteção contra danos é anunciada como vantagem para atrair anfitriões, e a proposta obriga quem a fez (art. 427 do Código Civil). A boa-fé na execução do contrato (art. 422) impede recusas genéricas, sem análise das provas.

Se o anfitrião é pessoa física que aluga um imóvel próprio, é possível discutir a aplicação do Código de Defesa do Consumidor na relação com a plataforma, pela vulnerabilidade diante dela. Para quem administra vários imóveis como negócio, a discussão tende a ficar no Código Civil.

Sobre o condomínio, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que a convenção do condomínio residencial pode restringir a locação de curta temporada por plataformas. Por isso, vale conferir a convenção do prédio antes de discutir a multa: a defesa muda conforme o que a convenção permite.

Onde propor

Pelo valor, muitos casos cabem no Juizado Especial Cível, que julga causas de até 40 salários mínimos (Lei 9.099/1995, art. 3º). Casos maiores, ou que exigem perícia complexa, vão para a Justiça Comum.

Quando vale procurar advogado

Se a plataforma pagou o que foi pedido, ou se a diferença é pequena e o pedido de revisão resolveu, não há o que fazer. O advogado entra quando:

Na página anfitrião do Airbnb com prejuízo explicamos como conduzimos esses casos. A área de Plataformas digitais reúne os demais temas de conflito com plataformas.

O anfitrião do Airbnb tem como cobrar o que a hospedagem deixou em aberto. O que decide o caso é a prova reunida nos primeiros dias: regras do anúncio, número real de hóspedes, fotos de antes e depois, orçamentos e os pedidos feitos dentro do prazo.

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

O que é o AirCover para anfitriões?
AirCover é o nome que o Airbnb dá ao pacote de proteção que anuncia para anfitriões e hóspedes. Para o anfitrião, inclui uma proteção contra danos causados por hóspedes ao imóvel e aos bens. O pedido é feito pela Central de Resoluções, com fotos e comprovantes, dentro do prazo fixado pela plataforma. A própria plataforma informa que essa proteção não é um seguro, e por isso as recusas seguem as regras dela. Quando o pagamento fica abaixo do prejuízo, o anfitrião pode discutir a diferença na Justiça.
Qual o prazo para pedir reembolso de danos no Airbnb?
Pelas regras divulgadas pelo Airbnb, o anfitrião deve abrir o pedido na Central de Resoluções em até 14 dias depois do check-out do hóspede, ou antes do início da reserva seguinte, se esta vier primeiro. Esse é o prazo do procedimento interno, não o prazo da lei. A ação judicial segue os prazos de prescrição do Código Civil. Mesmo assim, o pedido feito a tempo é uma prova importante e deve ser feito sempre.
Posso processar o Airbnb ou só o hóspede?
Os dois podem responder. O hóspede responde pelo dano que causou (arts. 186 e 927 do Código Civil). A plataforma participa da hospedagem: aprova o hóspede, recebe o pagamento, retém a taxa de serviço, define as regras e decide as disputas. Ela também anuncia ao anfitrião uma proteção contra danos. Por isso pode ser chamada a responder pelo que deixou sem solução. Em geral, a ação é proposta contra a plataforma e, quando convém, também contra o hóspede.
Como fazer uma reclamação contra o Airbnb sendo anfitrião?
O caminho começa no suporte airbnb anfitrião, pela Central de Resoluções, com o pedido de reembolso e as provas. Se a resposta for negativa ou parcial, o anfitrião pode pedir revisão e registrar a reclamação nos canais públicos, como o consumidor.gov.br. Guarde os protocolos e as respostas: eles mostram que a plataforma teve a chance de resolver. Se ainda assim o valor ficar em aberto, cabe ação judicial.
Dá para cobrar a multa que o condomínio aplicou por causa do hóspede?
Sim, quando a multa decorre da conduta dos hóspedes daquela reserva, como barulho, excesso de pessoas ou uso indevido das áreas comuns. A multa é aplicada ao proprietário, que paga ao condomínio e cobra de quem deu causa. A prova é a notificação do condomínio com data e motivo, ligada às datas da hospedagem, e as regras do anúncio que o hóspede descumpriu.
Hóspedes além do número reservado: dá para cobrar a diferença?
Sim, quando o anúncio prevê número máximo de hóspedes ou taxa por hóspede extra. A cobrança é a diferença que seria devida pelas pessoas a mais. A prova do número real pode vir da lista de nomes enviada à portaria, de câmeras externas permitidas pelas regras da plataforma, do registro do condomínio ou das próprias mensagens em que o hóspede admite quantas pessoas trouxe.

A plataforma pagou menos do que o prejuízo da hospedagem?

Preencha o formulário do anfitrião com a reserva, as fotos, os orçamentos e os pedidos feitos na Central de Resoluções. Somamos o que ficou em aberto e indicamos contra quem cobrar. A proposta de contratação é elaborada de forma individualizada após análise técnica do caso.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individualizada de um advogado. Cada caso depende do contrato específico e das provas disponíveis. Provimento 205/2021 OAB.

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