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Proteção de marca e combate à contrafação em marketplaces

Por José Eduardo Mercado · · 9 min de leitura · Propriedade Intelectual

Quando copiam ou falsificam o seu produto em um marketplace, a proteção de marca em marketplace começa antes da denúncia: começa no registro. No Brasil, marca se protege com o registro no INPI, e quem deposita primeiro leva. Com o registro em mãos, o titular tem como derrubar anúncios infratores, notificar quem comercializa e cobrar a reparação pelo dano à marca.

A contrafação encontra terreno fértil nos marketplaces. A escala das plataformas, a facilidade de criar anúncios e o anonimato relativo dos vendedores fazem a cópia se espalhar rápido. Este guia, voltado a quem é dono da marca, mostra como construir a proteção, derrubar quem copia e responsabilizar quem falsifica, sem ultrapassar os limites da lei.

Por que a contrafação prolifera nos marketplaces

Três fatores se combinam. O volume das plataformas dilui a fiscalização individual de cada anúncio. A criação de ofertas é rápida e barata, o que permite ao falsificador recomeçar assim que um anúncio cai. E a competição por preço incentiva a entrada de produtos mais baratos, entre eles a cópia e a falsificação.

Para o titular, o efeito é duplo. Há a perda direta de vendas para o produto falsificado, e há o dano à marca, quando o consumidor associa a baixa qualidade da cópia ao nome original. Quanto mais a cópia se espalha, mais caro fica recuperar a posição. Por isso a proteção precisa ser tratada como rotina, não como reação isolada.

O registro no INPI é a base da proteção

Aqui está o ponto de partida. A proteção de marca no Brasil nasce do registro no INPI, pelo sistema atributivo: o direito é de quem registra, não apenas de quem usa primeiro. O art. 129 da Lei 9.279/96 garante ao titular a propriedade e o uso exclusivo da marca no seu ramo de atividade.

O registro de marca no INPI é o que transforma a proteção em algo concreto. Sem ele, a defesa depende de provas difíceis de anterioridade de uso. Com ele, o titular tem direito de impedir o uso por terceiros, base para derrubar anúncios e para qualquer ação. O depósito do pedido já garante a anterioridade, mesmo antes da concessão, o que torna o registro urgente para quem já vende sob a marca.

Como derrubar anúncios que copiam ou falsificam

Com a marca registrada, há um caminho direto e um caminho reforçado.

  1. Programa de proteção da plataforma. Os marketplaces mantêm um cadastro de titulares de marca pelo qual é possível denunciar e remover anúncios que copiam ou falsificam, com tramitação interna.
  2. Notificação extrajudicial. Dirigida ao vendedor infrator, formaliza a exigência de cessação e cria prova para uma eventual ação.
  3. Ação judicial. Quando a infração é reiterada ou de grande escala, com pedido de remoção, abstenção e indenização.

A escolha entre esses caminhos depende do volume de anúncios, da reincidência e do tamanho do prejuízo. Casos pontuais se resolvem pela denúncia e pela notificação. Operações organizadas de combate à contrafação pedem uma estratégia que combine as três frentes.

Notificação e ação por contrafação

A Lei 9.279/96 dá ao titular instrumentos fortes. A violação de marca autoriza a reparação por perdas e danos (arts. 208 a 210) e a busca e apreensão dos produtos falsificados (art. 209). A reprodução ou imitação de marca registrada para fim comercial é, ainda, tipificada como crime (arts. 189 e 190).

Na prática, isso significa que o titular pode exigir a remoção dos anúncios, a cessação da venda, a indenização pelos danos e, em casos de falsificação, a apreensão dos itens. A medida adequada depende da gravidade e da prova reunida: prints datados dos anúncios, identificação do vendedor, comprovação do registro e demonstração do dano.

Revendedor regular não é falsificador

A proteção tem limite, e respeitá-lo é parte da estratégia. O titular não pode impedir a revenda de produto original que ele mesmo colocou no mercado, pelo princípio da exaustão da marca (art. 132, III, da Lei 9.279/96). Denunciar um revendedor legítimo como se fosse falsificador é uma denúncia indevida, que pode gerar responsabilização por concorrência desleal e por dano ao vendedor.

A defesa de quem revende produto original e foi derrubado por uma denúncia abusiva é tratada do outro lado dessa mesma moeda, no artigo sobre anúncio derrubado por denúncia de marca. Saber distinguir contrafação de revenda lícita evita que a proteção vire abuso.

Quando vale procurar advogado

O registro da marca e a denúncia de casos isolados pelo programa da plataforma são passos que o titular consegue iniciar sozinho ou com apoio pontual.

A atuação estruturada faz sentido quando a cópia é reiterada, organizada ou compromete a reputação e o faturamento da marca. Nesses casos, a estratégia combina o registro, a remoção pelos canais das plataformas, a notificação dos infratores e a ação por perdas e danos. Quanto antes a marca é protegida, menor o custo de recuperar o que a cópia tomou.

Marca forte não é só um nome conhecido: é um nome registrado e defendido. A cópia se aproveita justamente de quem não protegeu o que construiu. Com o registro no INPI e uma rotina de combate aos anúncios infratores, o titular deixa de correr atrás do prejuízo e passa a controlar o uso da própria marca.

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

Preciso registrar a marca no INPI para me proteger?
Sim. No Brasil, a proteção de marca nasce do registro no INPI, que segue o sistema de quem deposita primeiro. Sem registro, a defesa é limitada e depende de provas mais difíceis, como anterioridade de uso. Com o registro concedido, o titular tem exclusividade sobre a marca no seu ramo e direito de impedir o uso por terceiros (art. 129 da Lei 9.279/96). É o registro que dá força para derrubar anúncios infratores e para responsabilizar quem copia ou falsifica.
Como derrubar anúncios que copiam ou falsificam o meu produto?
Os marketplaces mantêm programas de proteção à propriedade intelectual em que o titular cadastra a marca e denuncia ofertas infratoras, que são removidas pela própria plataforma. Em paralelo, cabe notificação extrajudicial ao vendedor e, conforme o caso, ação judicial com pedido de remoção e de indenização. A escolha entre o canal da plataforma e a via judicial depende do volume de anúncios, da reincidência e do tamanho do prejuízo à marca.
O que posso exigir de quem falsifica ou copia o meu produto?
A Lei 9.279/96 prevê a reparação por perdas e danos pela violação de marca (arts. 208 a 210), além de medidas como a busca e apreensão dos produtos falsificados (art. 209). A reprodução ou imitação de marca registrada também é tipificada como crime (arts. 189 e 190). Na prática, é possível pedir a remoção dos anúncios, a cessação da venda, a indenização pelos danos e, em casos de falsificação, a apreensão dos itens. A medida adequada depende da gravidade e da prova.
Posso derrubar quem apenas revende o meu produto original?
Não. O titular não pode impedir a revenda de produto original que ele mesmo colocou no mercado, pelo princípio da exaustão da marca (art. 132, III, da Lei 9.279/96). A proteção alcança a falsificação, a imitação e o uso indevido da marca, não o revendedor regular. Denunciar revendedor legítimo como se fosse falsificador é uma denúncia indevida, que pode gerar responsabilização. O foco da proteção é a contrafação e a cópia, não a concorrência lícita.
Quanto tempo leva para registrar uma marca no INPI?
O processo de registro no INPI leva, em média, de um a dois anos até a concessão, a depender de exigências e de eventuais oposições. Mas a proteção começa a se construir já no depósito do pedido, que garante a anterioridade. Por isso, quem ainda não registrou deve fazê-lo o quanto antes, sobretudo se já vende sob a marca. Aguardar o registro para só então pensar em proteção costuma custar caro, porque abre espaço para terceiros depositarem antes.
Vale a pena agir contra a contrafação no marketplace?
Depende da escala e do impacto na marca. Casos isolados podem se resolver com denúncia pelo programa de proteção da plataforma e notificação. Quando a cópia é reiterada, organizada ou compromete a reputação e as vendas da marca, a atuação estruturada faz sentido, combinando remoção, notificação e ação por perdas e danos. Proteger a marca cedo costuma sair mais barato do que recuperar mercado depois que a cópia se espalhou.

Estão copiando ou falsificando o seu produto no marketplace?

A estratégia começa pela situação da sua marca no INPI e pelo mapeamento dos anúncios infratores. A proposta de contratação é elaborada de forma individualizada após análise técnica do caso.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individualizada de um advogado. Cada caso depende do contrato específico e das provas disponíveis. Provimento 205/2021 OAB.