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Justiça determina que o Mercado Livre reative conta de vendedor suspensa por marcas que ele sequer comercializa

Por José Eduardo Mercado · · 6 min de leitura · Marketplaces

A Justiça de São Paulo concedeu tutela de urgência para determinar que o Mercado Livre reative, em 48 horas, a conta comercial de um vendedor suspensa sob a alegação genérica de violação de propriedade intelectual envolvendo marcas que ele afirma jamais ter comercializado. A decisão também proibiu a plataforma de descartar mais de duzentas unidades de produtos armazenados no Mercado Livre Full e determinou a liberação de outras centenas de itens retidos no centro de distribuição, sob pena de multa.

Acusação genérica de violação de marcas

O caso envolveu uma loja com reputação de Mercado Líder e índices zerados de reclamações, mediações e cancelamentos. Mesmo assim, a conta foi suspensa de forma reiterada pela plataforma sob a alegação de infração às marcas Nike e Adidas. A documentação apresentada na inicial demonstrou que a atividade do vendedor se restringe a artigos licenciados de clubes de futebol nacionais, com contratos e notas fiscais que comprovam a regularidade da origem dos produtos.

Para o juízo, impor suspensão integral da conta por suposta violação de marcas que sequer integram o portfólio do lojista, sem demonstração pormenorizada da infração e sem observância do contraditório, configura conduta aparentemente abusiva, em descompasso com os deveres de boa-fé objetiva e de transparência.

Risco de descarte automático do estoque no Full

Outro ponto central foi o risco iminente de descarte físico automático de 201 unidades estocadas no Mercado Livre Full, com data programada pelo próprio sistema da plataforma. A decisão reconheceu que a paralisação da operação no ambiente virtual asfixia o capital de giro da empresa e que a eliminação definitiva do estoque caracteriza dano concreto e irreversível.

Com base no artigo 300 do Código de Processo Civil, o juízo determinou: a reativação imediata da conta no mesmo status reputacional anterior ao bloqueio; a abstenção de descarte, destruição, doação ou alienação das 201 unidades custodiadas no Full; e a liberação de outras 466 unidades retidas no centro de distribuição para comercialização ou retirada física, conforme opção do vendedor. Foi fixada multa diária de R$ 2 mil, limitada a R$ 40 mil, além de multa única equivalente ao valor de mercado dos bens em caso de descarte indevido.

Capital de giro contratado com a plataforma foi tratado à parte

O pedido de suspensão das parcelas do contrato de capital de giro firmado com a própria plataforma não foi acolhido em sede de tutela de urgência. O juízo entendeu tratar-se de mútuo financeiro autônomo, cuja exigibilidade não se confunde com a discussão sobre a regularidade do acesso operacional ao marketplace, demandando instrução probatória específica.

O que a tese significa para vendedores de marketplaces

A decisão reforça que plataformas digitais não podem suspender contas comerciais com base em acusações vagas de violação de propriedade intelectual, especialmente quando o histórico reputacional e a documentação fiscal indicam atividade regular. Também consolida o entendimento de que o risco de descarte automático de estoques armazenados em serviços de fulfillment justifica medidas judiciais urgentes para preservar o patrimônio do lojista enquanto se discute o mérito do bloqueio.

Situações como essa dependem de análise individualizada. Para saber se o mesmo se aplica ao seu caso, fale com o escritório.

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

O Mercado Livre pode suspender uma conta alegando violação de marca de forma genérica?
A decisão entendeu que a suspensão integral por suposta violação de propriedade intelectual exige demonstração clara e pormenorizada da infração e respeito ao contraditório. Acusação genérica, sem indicar qual anúncio violaria qual marca, foi considerada conduta aparentemente abusiva, contrária à boa-fé objetiva e ao dever de transparência.
O que acontece com os produtos estocados no Mercado Livre Full quando a conta é bloqueada?
O sistema do Mercado Livre Full pode programar descarte automático de mercadorias armazenadas após determinado período. Esse risco de eliminação definitiva do estoque foi reconhecido como perigo de dano concreto e irreversível, apto a justificar a concessão de tutela de urgência para impedir a destruição dos itens.
É possível obrigar a plataforma a liberar fisicamente os produtos retidos no Full?
Sim. A decisão determinou não apenas a abstenção do descarte como também a liberação das mercadorias para regular comercialização ou pronta retirada física, conforme opção do titular da conta, sob pena de multa diária.
A reativação inclui a recuperação da reputação anterior do vendedor?
No caso analisado, a ordem determinou o restabelecimento do pleno acesso no mesmo status reputacional anterior ao bloqueio, preservando indicadores como o selo de Mercado Líder e os índices operacionais já conquistados pelo lojista.
É possível suspender, na mesma ação, a cobrança de empréstimo de capital de giro contratado com a plataforma?
Nesse caso, o pedido foi indeferido em cognição sumária. O juízo entendeu que o contrato de mútuo financeiro é avença autônoma, sem nexo direto com o acesso operacional ao marketplace, exigindo instrução probatória específica para discutir a exigibilidade das parcelas.

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